quarta-feira, 16 de março de 2011

"O dia em que te esqueci"

"Apesar dos ventos já não soprarem com a mesma intensidade, a cidade ter mudado e as pessoas serem outras eu continuo cá. Por ela ou apenas por mim, ou nem por ela e nem por mim, apenas porque sim eu continuo. Continuo porque não tenho para onde ir? Não! Porque não sei voltar. O dia parte, a noite vem e eu aqui. Abro os braços a um mundo que só quer saber de ela. Há uma distância meio perdida no caminho para casa, há um olhar preso no tempo desde que parti tornando a noite nunca clara.

Ainda pensei em ti todos os dias, ainda tive saudades tuas, mas saudades um do outro é algo que iremos sentir sempre, não é? Quando duas pessoas foram tão próximas como nós, e viveram essa proximidade de uma maneira única, aquilo a que tão raramente podemos chamar de intimidade. Há marcas que ficam para sempre, sendo por isso inútil, ou até ingénuo tentar apaga-las.

Quando amamos alguém, não perdemos só a cabeça, perdemos também o nosso coração. Ele salta para fora do peito e depois, quando volta, já não é o mesmo, é outro, com cicatrizes novas. Às vezes volta maior, se o amor foi feliz, outras, regressa feito numa bola de trapos, é preciso reconstruí-lo com paciência, dedicação e muito amor-próprio. E outras vezes não volta. Fica do outro lado da vida, na vida de quem não quis ficar do nosso lado"
Margarida Rebelo Pinto

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