Lembro-me do tempo,
do tempo que era puto,
magoa interior,
mas nao parava um minuto
Escolhas erradas,
deram rosto a inocência,
mas naquela altura,
isso não marca a diferença
Cabeça sem juizo,
não controla a vontade,
começa na experiencia,
acaba na necessidade
Liberdade eu sempre a quis,
mas eu não a tinha,
e a unica fuga,
era o caminho da mentira
Tudo tem limite,
e eu tinha que ir pa casa,
medo no olhar,
pouco amor e pouca graça
Fechado no quarto,
reflectia e lamentava,
era assim dia após dia,
e eu nem sei como aguentava
Destino cruel,
Destino diabólico,
nem imaginas o que é,
ter um pai alcoolico
Mae que sofreste,
Mae que ainda choras,
Mae que me criaste,
eu sei que ainda me adoras
Lamento se te magoei,
e se nao te dei valor,
era a voz do interior,
a mostrar a sua dor
Eu nunca passei fome,
mas isso não é tudo,
tinha era problemas a mais,
para um miudo
Escola da vida,
nunca deu bons resultados,
apenas aflições e
momentos controlados
Segredos que eu trago,
continuam bem guardados,
demasiado fortes,
para serem apagados
Desgosto e sufoco,
mau ambiente familiar,
misturados com tristeza,
nem vos consigo explicar
Houve alturas que pensei,
pensei em desaparecer,
mas na hora eu não tinha,
forças para o fazer
Eu quero esquecer,
mano, não sou capaz,
porque o passado,
nao me deixa em paz
Trágicas memórias,
de um puto que sofreu,
esse puto cresceu e
o puto sou eu.